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Já sou coach, posso aplicar as técnicas em crianças?

Continuando a série de respostas às principais perguntas que recebemos de nossa audiência, neste artigo vamos abordar o seguinte tema: “Já sou coach, posso aplicar as técnicas em crianças?”

O Coaching surgiu e ganhou importância mundialmente em seu formato voltado para questões profissionais, com resultados notáveis especialmente em executivos e lideranças empresariais em geral. Com sua popularização, o Coaching foi expandido para outras esferas, e hoje é comumente utilizado no esporte, em relacionamentos familiares e amorosos, e até por pessoas que desejam emagrecer – só para citar alguns exemplos.

Percebendo que havia uma enorme demanda (com possibilidades de ganhos financeiros tão grandes quanto), alguns coaches acabaram aplicando – desavisadamente – o Coaching em crianças usando técnicas e ferramentas de adultos adaptadas em seu design com motivos infantis, mas mantendo a prerrogativa da “melhoria de performance”: nos estudos, na escolinha de futebol, ou até com a intenção de adestrar o comportamento infantil, de modo a criar crianças disciplinadas e “exemplares”.

No entanto, a criança definitivamente não é um “miniadulto”. O cérebro infantil tem um funcionamento específico, bem diferente do de um adulto. Isso porque seu neocórtex (parte do cérebro responsável pela autorregulação emocional e pela tomada de decisões, entre outras funções nobres) ainda está em desenvolvimento. Esse processo, segundo estudiosos como Daniel Siegel, só termina por volta dos 24 anos de idade.

Ao aplicar técnicas como, por exemplo, a Roda da Vida (ainda que desenhada com temática infantil) não há retorno, entendimento nem tomada de decisão, porque a criança não se identifica com esse tipo de proposta. E mais que isso, ela não possui prontidão neurológica para construir análises, tampouco é capaz de formar conclusões ou tomar decisões conforme a lógica do adulto”, ilustra Marcia Belmiro.

Marcia continua: “Ao preconizar métodos, procedimentos, protocolos ou simples abordagens com crianças há que se considerar a realidade infantil, sua essência, seu particular processo de desenvolvimento psíquico e social, as problemáticas de rotina que se inserem nas relações em família, com seus colegas de escola e consigo mesmas. Qualquer pessoa que se interesse por trabalhar com o universo infantil sob uma abordagem Coaching estará mais bem preparada não apenas ao fazer uma formação tradicional em Coaching, mas ao conhecer o desenvolvimento psíquico e as fases naturais de evolução da criança.”

O Método CoRE KidCoaching, criado por Marcia em 2015, testado e aprovado por milhares de famílias e centenas de escolas no Brasil e em outros países, tem como base diversas escolas de pensamento, como Psicologia Positiva, TCC (Teoria Cognitivo-Comportamental), Psicologia do Desenvolvimento, Gestalt-Terapia, Psicologia Social, Psicologia Sistêmica, Psicopedagogia, conceitos de Constelação Familiar e pesquisas recentes de Neurociências, além do próprio Coaching.

Você, que tem uma formação em Coaching, pode ter uma conversa com base nos princípios dessa metodologia com seus filhos e/ou alunos e isso até pode provocar alguma mudança comportamental nas crianças, mas não se pode chamar a isso de processo de Coaching infantil”, alerta Marcia.

IMPORTANTE: Para quem está procurando um processo de Coaching para crianças, procure saber onde o profissional fez sua formação e se tem o selo de habilitado concedido pelo ICIJ – Instituto de Crescimento Infantojuvenil –, que reconhece a validação de seu trabalho.

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Meu filho não quer mais morar comigo

Quando um casamento acaba e há filhos envolvidos, em geral a guarda é concedida à mãe. No entanto, nos últimos tempos cada vez mais as crianças e os adolescentes são ouvidos pelo juiz, e em alguns casos eles escolhem morar com o pai. Nessa situação, o que fazer?

Em primeiro lugar, é preciso entender a motivação do jovem. Se ele argumenta que tem uma relação melhor com o pai, ou que este tem um horário de trabalho mais flexível, podendo participar mais da vida do filho, pode ser uma boa ideia fazer uma experiência nesse arranjo.

É importante ressaltar que não morar com o filho não é necessariamente uma ameaça à relação de vocês. É possível até que sem o desgaste natural provocado pela rotina aconteça uma mudança – para melhor – nessa convivência (que deve continuar existindo, independentemente dos endereços diferentes), diminuindo as brigas e cobranças diárias.


Sofrimento primário x sofrimento secundário

Mesmo que a decisão de seu filho gere dor em você, pense que existe o fato, e tudo que está além disso são os significados que damos ao fato. O sofrimento primário de não ter a guarda está lá, mas este sentimento será mais fácil de ‘carregar’ se estiver sozinho. Se adicionamos a ele sofrimentos secundários (em forma de pensamentos como ‘meu filho não me ama’, ‘serei julgada como uma mãe ruim’ etc.), vai acontecer um ‘empilhamento’ de dores, e essa carga só vai ficar mais pesada emocionalmente falando”, analisa Sabrina Oliveira.

Nesse tipo de situação, o ideal é evitar se colocar como vítima. Em vez disso, é mais produtivo assumir a responsabilidade de pensar em como fazer essa mudança acontecer da melhor forma possível para todos os envolvidos.

Com maturidade, sem revanchismo

Forçar o filho a mudar de opinião também não é boa ideia, assim como reagir com ameaças ou barganhas, oferecendo recompensas ou prometendo castigos, numa atitude revanchista. Tampouco se pode deixar de cumprir com os deveres (financeiros e afetivos) que a parentalidade impõe.

É possível, sim, que haja julgamentos por parte da sociedade e até da família, mas definitivamente deixar um filho com o próprio pai não deveria ser motivo de crítica. Afinal, o homem é tão responsável e capaz quanto a mulher de criar sua prole. Além do mais, já parou para pensar que ninguém julga um pai que não mora com os filhos? Por que a situação contrária seria um caso de abandono?

Por outro lado, essa pode ser uma oportunidade de se desenvolver emocionalmente, profissionalmente e academicamente – seja aceitando um desafio no trabalho, voltando a estudar ou retomando um hobby esquecido, para se tornar um ser humano e uma mãe cada vez melhor e mais realizada.